A importância do apurar os fatos em tempos de Fake News

 

No passado, quando falávamos de lixo eleitoral, vinha logo em mente aquelas cenas de ruas que tornavam-se mares de santinhos nos dias de votação. Outros podem lembrar das vias públicas lotadas de cavaletes com imagens de candidatos, ou postes de luz tomados por cartazes. Em 2018, na era das smartphones, das redes sociais e do overshare, toda essa sujeira está na internet, sob o véu das Fake News.

O termo entrou no radar político em 2016, durante o processo eleitoral norte-americano, que colocou frente a frente Hillary Clinton e Donald Trump, um dos responsáveis por popularizar a nomenclatura “Fake News”. No Brasil, as notícias falsas ganharam tanta notabilidade que até o WhatsApp criou o alerta para mensagens encaminhadas, visando alertar os usuários para checarem informações cuja fonte não era, necessariamente, a pessoa que as encaminhou.

Com a chegada do processo eleitoral de 2018 no Brasil, em um momento delicado política e economicamente para o país, as Fake News passaram a ocupar lugar de destaque. De acordo com a Agência Lupa, a primeira agência de fact-checking nacional, as 10 notícias falsas mais populares das redes sociais tiveram mais de 865 mil compartilhamentos. Em matéria da Época é possível conferir os conteúdos falsos.

Informações mentirosas amplamente divulgadas, sem necessariamente representarem apenas uma bandeira política. Fraudes de urnas, declarações de candidatos e vices, imagens de protestos e manifestações adulteradas. O UOL divulgou uma lista no último dia 07 que comprova: nenhum presidenciável esteve livre das garras das Fake News, tanto em forma de apoio como de desvalorização de suas campanhas.

O Site da Agência Lupa é repleto de conteúdos marcados pela hashtag #Verificamos, onde pautas populares daas redes sociais são apuradas, com justificativas e sem o cunho político tradicional  dos grupos de família no WhatsApp. A página inclusive fez uma cobertura especial no dia do pleito, com checagens de boatos em tempo real.

Outra parte da culpa da disseminação das Fake News são os grandes jornais do país, com conteúdo privado para assinantes. Talvez a forma encontrada pelos veículos de monetizar seus conteúdos virtuais, restringindo acesso ao grande público, seja uma arma utilizada pelos criadores e disseminadores de desinformação. Veja o exemplo da publicação da Revista Super Interessante, que poderia ser esclarecedora para muitas pessoas ao explicar a diferença entre comunismo e socialismo. É difícil indicar para as pessoas só confiarem em veículos conhecidos quando tais veículos privam seu conteúdo.

Em tempos de polarização política e atritos familiares por conta de visões diferentes, a grande ideia é sempre checar aquilo que se está compartilhando. Utilize uma busca no Google, vejo se aquilo está vinculado em algum grande canal, de preferência de conteúdo aberto. Não acredite em fontes como “acabei de receber no zap” ou “meu amigo que trabalha em tal lugar”. Seja você a sua própria agência de fact-checking e não colabore com a propagação de mensagens falsas.

Por: Vicente Pardo, jornalista da Reverso Comunicação Integrada

 

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