Quais lições tirar do encerramento das atividades dos canais Esporte Interativo?

O mês de agosto começou com duas surpresas no meio da comunicação. Primeiro foi a Editora Abril, que anunciou o encerramento das atividades de oito revistas de seu portfólio. Nomes como Elle e Casa Claudia deixarão de circular e, além do material nas bancas, o resultado deve ser 800 funcionários demitidos.

A segunda surpresa aconteceu na manhã do dia 09. O Grupo Turner, responsável pela gestão de diversos canais de TV paga, anunciou o final dos canais Esporte Interativo. A notícia pegou o mundo da comunicação, bem como o de entusiastas do esporte, de surpresa. Afinal de contas, o Esporte Interativo têm feito grandes investimentos financeiros ao longo dos últimos anos, principalmente no futebol, onde ganhou os direitos de transmissão da UEFA Champions League e fechou contratos milionários com diversos clubes brasileiros para transmitir suas partidas no Brasileirão a partir de 2019.

De acordo com comunicado oficial publicado no Facebook, o Esporte Interativo encerrará suas atividades na televisão em até 40 dias. A partir daí, as transmissões esportivas serão divididas em outros canais da Turner, como TNT e Space, além de acontecerem nas redes sociais da emissora e no site de stream por assinatura, o EI Plus. Claramente, a redução de espaço representa, também, demissões e uma redução considerável nos campeonatos e práticas esportivas transmitidos pelo canal.

Mas qual a reflexão que pode-se tirar de tudo isso? É possível imaginar um cenário não pessimista? Em comparação com o que ocorreu nas publicações da Editora Abril, sim. Percebe-se que o Esporte Interativo toma uma decisão visando o futuro de sua marca e, não somente, a manutenção de um negócio. Os formatos mudaram e a forma como o público consome informação é diferente.

Hoje em dia você faz a curadoria daquilo que quer consumir em suas redes sociais. Não gosta de algo? É só não seguir ou curtir a página. E os meios de mídia tradicional devem seguir esse comportamento. O Esporte Interativo possuía dois canais de televisão fechada e, apesar de ser detentor da maior competição de clubes de futebol do mundo, o restante de seu portfólio de transmissões não tinha o mesmo apelo da Champions League.

Talvez alocando as transmissões em canais como a TNT e Space, e explorando o amplo alcance que suas redes sociais possuem entre o público, o Esporte Interativo consiga gerar um engajamento maior entre público/empresa do que agora, onde investe pesado na televisão. A partir de 2019 a emissora vai passar a transmitir partidas do Campeonato Brasileiro, o que pode colaborar para que a ideia da Turner tenha sucesso.

O que não dá para negar é que, apesar de surpreendente e ousada, a atitude do grupo em fechar os canais de televisão e explorar outras formas de negócio é correta. Por vezes a manutenção de um modelo de negócio pode não ser saudável para a sua continuidade a longo prazo. Resta torcer, tanto para o sucesso desta nova abordagem midiática, como que para os colegas jornalistas, que tiveram seus empregos encerrados, logo se aloquem novamente nesse disputado mercado.

Vicente Pardo, jornalista na Reverso Comunicação Integrada

 

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